Praça do Congresso perdeu a atratividade? Leilão de imóvel milionário reacende debate em Criciúma
Especialista em negócios imobiliários, Rafael Canuto analisa os motivos que levaram um terreno com lance mínimo de R$ 25 milhões a não receber propostas
Foto: Marcelo de Bona
O leilão de um imóvel com mais de 1,6 mil m², localizado no entorno da Praça do Congresso, uma das regiões mais tradicionais de Criciúma, terminou sem propostas. Com lance mínimo de R$ 25 milhões, o terreno não atraiu interessados e reacendeu o debate sobre os critérios que hoje orientam os investimentos no mercado imobiliário de alto padrão.
O episódio também levantou uma dúvida: será que um dos endereços mais valorizados da cidade ainda exerce o mesmo poder de atração de décadas atrás?
Para o especialista em negócios imobiliários Rafael Canuto, a resposta passa menos pela localização e mais pela viabilidade financeira do empreendimento.
"O mercado imobiliário é movido por viabilidade. Independentemente da localização, o investidor avalia se o valor de aquisição, somado ao custo da incorporação, permitirá alcançar a rentabilidade esperada. Quando essa conta não fecha, o imóvel tende a não despertar interesse, mesmo estando em uma das áreas mais tradicionais da cidade", explica.
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Perfil do comprador mudou
Segundo Canuto, o mercado de alto padrão em Criciúma evoluiu nos últimos anos. Embora endereços tradicionais ainda agreguem valor, eles deixaram de ser o principal fator de decisão.
Hoje, compradores de maior poder aquisitivo priorizam aspectos como segurança, mobilidade, infraestrutura, qualidade do entorno e facilidade de acesso. Ao mesmo tempo, condomínios fechados e bairros como Pio Corrêa e Mina Brasil ampliaram a oferta de empreendimentos de luxo e superluxo, oferecendo novas alternativas para esse público.
Conta precisa fechar
Na avaliação de Rafael Canuto, o desfecho do leilão não surpreendeu quem acompanha o setor.
"Quando se projeta o potencial construtivo do terreno, o custo da aquisição e o valor final de comercialização das unidades, é preciso que exista uma margem de retorno compatível com o investimento. Se essa rentabilidade não é atingida, dificilmente haverá interesse, independentemente de o terreno estar em uma localização nobre", afirma.
Para o especialista, o caso evidencia uma realidade do mercado atual: localização continua sendo um diferencial, mas, sozinha, não garante a atratividade de um investimento. A decisão de compra depende, sobretudo, da capacidade do empreendimento de oferecer retorno financeiro compatível com o capital empregado.