Poesia Diária: “Areia”, por Marcello Zapelini da Rosa
Em versos que evocam vozes, sangue, mar e silêncio, Marcello Zapelini da Rosa apresenta “Areia” na série Poesia Diária do Portal MeroMídia
Foto: Imagem gerada por IA
A série Poesia Diária, do Portal MeroMídia, apresenta nesta edição o poema “Areia”, de Marcello Zapelini da Rosa.
Escrito em 15 de setembro de 2026, o poema constrói sua narrativa a partir de imagens fortes e contrastantes. Vozes “vorazes, ferinas”, bocas “coloridas de sangue”, correntes e o mar conduzem o leitor até um desfecho em que aquilo que deveria levar embora acaba devolvendo.
Entre a denúncia e a metáfora, “Areia” deixa que os próprios versos provoquem a interpretação do leitor.
Areia
As mesmas vozes vorazes ferinas vomitando fel
Os cúmplices de sempre
As ladainhas de costumes
Os dos bons “costumes”
“Coloriram” de sangue as bocas contrárias
E as jogaram ao mar,
Pensando que as correntes as levariam para o fundo
Achando que os lábios iriam falar suas últimas palavras.
Entrou água!
Não deu certo!
O mar não lavou as bocas,
Não os levou para o abissal,
As devolveu para a areia.