Turnês históricas que pararam o Brasil (e o mundo)
Quando a música fez multidões vibrarem em um único grande som, confira na Coluna Monte de Música
Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial
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Poucas coisas na cultura pop são tão impactantes quanto uma grande turnê. Mais do que shows, elas são rituais coletivos, encontros de gerações e momentos que ficam para sempre na memória. Escrevo esse texto inspirado pelo show do Guns N’ Roses, em Florianópolis, no próximo dia 21, que promete entrar para a história recente da cidade. E, para entender essa expectativa, vale relembrar turnês que pararam o Brasil — e o mundo.
Um dos primeiros grandes marcos foi a passagem do Queen no Brasil em 1981, com os dois históricos shows no Morumbi e no Maracanã. Freddie Mercury comandou multidões de mais de 250 mil pessoas e transformou o país em protagonista da maior plateia da carreira da banda. Foi uma catarse coletiva que colocou o rock internacional definitivamente em terras brasileiras.
Poucos anos depois, em 1993, o Brasil testemunhou a Dangerous Tour de Michael Jackson. O Rei do Pop desembarcou no Morumbi com toda a sua grandiosidade: coreografias, cenários espetaculares e um público em êxtase. Era a primeira vez que muitos brasileiros viam um show desse nível, comparável às maiores produções de Las Vegas.
Nos anos 90, os próprios Guns N’ Roses também deixaram sua marca no país. A turnê “Use Your Illusion” chegou ao Brasil no Rock in Rio II, em 1991, e mostrou Axl Rose e companhia em seu auge explosivo. A energia, os atrasos e até as polêmicas se transformaram em folclore, mas ninguém esquece o poder do grupo naquele palco.
Falando em Rock in Rio, o festival por si só merece destaque como “turnê dentro de casa”. A edição de 1985, com Queen, Iron Maiden, AC/DC e Scorpions, fez do Rio de Janeiro o centro mundial do rock. Foi a primeira vez que o Brasil mostrou para o mundo que tinha público e estrutura para receber as maiores bandas da história.
U2 e Stones fazem espetáculos impressionantes
Na cena internacional, poucas turnês foram tão grandiosas quanto a Zoo TV Tour do U2 (1992-1993). Com um espetáculo multimídia à frente do seu tempo, Bono e sua trupe transformaram cada show em uma experiência audiovisual inédita. Quando a turnê passou pelo Brasil, deixou claro que o rock podia dialogar com a tecnologia como ninguém imaginava.
O Rolling Stones também entraram para a história brasileira com shows que parecem saídos de um sonho. Em 2006, quando se apresentaram de graça na Praia de Copacabana, mais de 1,5 milhão de pessoas lotaram a orla. Foi um dos maiores públicos da história da música e consolidou o Brasil como palco essencial para as maiores turnês do planeta.
Já o Iron Maiden fez do Brasil quase uma segunda casa. Desde os anos 80, a banda traz sua energia imortal aos estádios brasileiros, mas a “Somewhere Back in Time Tour” (2008-2009) merece menção especial. Bruce Dickinson pilotando o Ed Force One, avião da própria banda, se tornou um símbolo da devoção do grupo aos fãs.
Nos anos 2000, o Paul McCartney transformou cada visita em um evento nacional. Desde sua primeira turnê solo em 1990 até as recentes passagens, o ex-Beatle mostra que seu repertório é praticamente a trilha sonora da humanidade. Estádios inteiros cantando “Hey Jude” em uníssono são lembranças gravadas no coração brasileiro.
Outra turnê que chocou o mundo foi a The Wall Live, de Roger Waters, entre 2010 e 2013. Inspirada no clássico do Pink Floyd, a turnê recriou a grandiosidade conceitual do álbum com tecnologia de ponta, cenários monumentais e crítica social. No Brasil, lotou estádios e mostrou que shows podem ser verdadeiras obras de arte política.
Na mesma linha, a 360° Tour do U2 (2009-2011) redefiniu a escala de um show de rock. Com o palco em formato de “garra espacial” e capacidade para 90 mil pessoas em cada apresentação, foi a turnê mais lucrativa da história até então. Quando passou pelo Brasil, se tornou um dos eventos mais comentados da década.
Por fim, vale lembrar o impacto da PopMart Tour (1997-1998) também do U2, com seu telão gigantesco e estética pop colorida. Apesar de criticada na época, foi visionária ao misturar rock com espetáculo visual grandiloquente. E quando chegou ao Brasil, mostrou que a música ao vivo pode ser um espetáculo maior que o cinema.
Essas turnês provaram que a música vai muito além do som: ela é encontro, é história, é espetáculo. Do Maracanã ao Morumbi, da Praia de Copacabana a estádios pelo mundo, os maiores shows já realizados foram capazes de parar países inteiros. E cada vez que revisitamos essas memórias, entendemos porque certas turnês se tornaram eternas.