Quem o mundo ouviu em 2025: a retrospectiva das plataformas musicais
Enquanto as plataformas coroam os gigantes do pop e do rap, minha lista segue na contramão — movida pelo peso e pela intensidade do rock e do metal
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Chegou aquela hora tão esperada do ano: a retrospectiva das plataformas musicais. Ela deixa claro quem realmente manda no mundo do streaming. 2025 confirmou uma tendência poderosa: o planeta inteiro continua girando em torno de superestrelas que já nasceram gigantes. No topo global, nomes como Taylor Swift, Bad Bunny, Drake, The Weeknd e Doja Cat continuaram inalcançáveis.
Eles transformaram o streaming num império próprio, empurrado por hits que dominam playlists, redes sociais e campanhas publicitárias. Nada parece mais forte do que esse combo de fandom + marketing + ubiquidade digital.
Em 2025, as plataformas reforçaram um ponto: existe um abismo cada vez maior entre os artistas globais e o resto do mundo. A música virou algoritmo, e quem já é grande simplesmente cresce ainda mais. As músicas mais ouvidas globalmente seguiram a mesma lógica. Refrões virais, produções milimetricamente calculadas e um consumo quase automático.
Já no Brasil, a retrospectiva trouxe outro impacto: quem domina por aqui é praticamente um ecossistema próprio. Sertanejo, funk e pop nacional continuam na liderança absoluta. Os artistas mais ouvidos no país em 2025 repetiram o padrão dos últimos anos: Ana Castela, Gusttavo Lima, Luan Santana, Ludmilla e Matuê preencheram as primeiras posições com folga. São artistas que entendem o jogo, a máquina de hits, e surfam a onda de forma quase cirúrgica.
Vivo em um mundo musical paralelo
É aqui que entra o grande paralelo com a minha retrospectiva pessoal. Enquanto o planeta inteiro girava em torno de pop e rap, e o Brasil respirava sertanejo e funk, meu ano foi acelerado na base do peso do rock e do metal. Meu top de artistas não deixou dúvidas: Metallica, Sepultura, Motörhead, Red Hot Chili Peppers e Dead Fish moldaram minha trilha sonora de 2025.
As músicas só confirmaram que a minha retrospectiva não segue moda nem algoritmo — segue o mesmo gosto de mais de 40 anos. Ace of Spades, Overkill e Bomber, três pedradas clássicas do Motörhead, lideraram minha lista como se tivessem sido lançadas ontem. São músicas que não envelhecem. Elas simplesmente existem.
Na sequência, Dentes Amarelos, do Dead Fish, mostrou que o hardcore nacional segue sendo uma das forças mais sinceras do país — mesmo quando não aparece nas paradas oficiais. Já Bridges You Burn, da banda nova Golf Riots, foi a prova de que ainda existe sangue fresco no rock mundial. Só não chega ao grande público porque o algoritmo não sabe o que fazer com música que tem personalidade.
Comparar minha retrospectiva com a do mundo é quase um choque cultural. Enquanto o planeta buscou conforto, repetição e fórmulas conhecidas, eu fiquei do lado oposto: buscando energia bruta. O rock e o metal não competem com o hype.E é exatamente por isso que continuam relevantes para quem realmente sente música, e não apenas consome.
O mais curioso é que, mesmo em baixa nas plataformas, o rock e o metal seguem movimentando fãs como nenhum outro gênero. Shows lotados, turnês gigantescas, festivais que viram peregrinação. Enquanto isso, muitos dos artistas mais ouvidos no streaming nem conseguem transformar números em público real. No fim do dia, não é a playlist que cria história — é o palco.

A retrospectiva de 2025 também escancara o quanto o consumo musical virou comportamento, não personalidade. Muita gente ouve o que está no topo porque “é o que toca”, “é o que bomba”, “é o que todo mundo ouve”. Quem segue pelo rock passa por outro caminho: ouve o que faz sentido. O que mexe. O que conversa com a alma e não apenas com o algoritmo.
No fim, para mim, ficou uma sensação clara: enquanto o mundo corre atrás de hits descartáveis, meu ano foi guiado por músicas que atravessam gerações e contam a história da minha vida. Músicas que carregam suor, ruído e emoção. As retrospectivas de 2025 provam que a música virou estatística — mas também provam que ainda existe espaço para quem quer algo maior que números. E, pelo visto, meu 2025 mostrou que essa chama continua acesa. Mais forte do que nunca.