O rock está voltando para os ouvidos das pessoas

Sleep Token, Wet Leg e Ghost provam que o público cansou do “perfeito” e voltou a buscar verdade, peso e identidade

O rock está voltando para os ouvidos das pessoas

Foto: Imagem gerada por IA

Um artigo do The Hollywood Reporter crava que o rock está prosperando na era dos streamings. O estilo está voltando porque tudo parece igual e “feito pra agradar”. E aí, do nada, entra uma guitarra orgânica e honesta e pronto: o corpo entende antes da cabeça. Não é uma volta ao passado. É reação ao presente. É o ouvido pedindo emoção sem filtro e daquele jeito que o rock sempre entregou.

A regra do jogo mudou: hoje, quem vence não é só quem toca “certinho”. É quem cria universo. O Sleep Token faz isso como poucos. Mistura peso, pop, atmosfera, drama, silêncio e explosão. E quando a música vira experiência, o público para de “ouvir” e começa a “viver” aquilo. Esse é o truque que o pop cansou de prometer… e o rock voltou a cumprir. Como sempre fez.

Não é só conversa de fã ou de roqueiro: tem sinal claro de mudança. Quando um trabalho pesado estoura fora da bolha, não é acidente. É repetição e gosto popular. É gente voltando pra ouvir álbum, caçar detalhe, compartilhar teoria, discutir letra como quem discute filme. A sensação é simples: finalmente apareceu algo que não soa “descartável”.

Tem também o fator “místico”. Máscaras. Persona. Ritual. O rock sempre teve teatro, mas agora isso encaixa perfeitamente na era do feed. Sleep Token entendeu que imagem é linguagem. Você não compra só a música. Você compra a história. E história boa prende mais do que qualquer trend.

Shows que parecem espetáculos

E aí entra o Ghost, com a mesma inteligência. Visual forte, refrões gigantes, show que parece um espetáculo cinematográfico. O rock volta a ser “evento”. Como já foi com o Kiss e o Iron Maiden. Você não dá play pra preencher silêncio. Você dá play pra sentir alguma coisa acontecer. E isso é raríssimo num mundo de músicas que passam e somem em segundos. Afinal, alguém lembra um grande sucesso de 2018, por exemplo?

Enquanto isso, o outro lado do retorno é o “rock sem armadura”. Wet Leg representa o humor ácido, a atitude, o minimalismo bem colocado. A banda que parece estar rindo do caos — e por isso mesmo acerta em cheio. Em vez de tentar soar grandiosa, ela soa real. E o público ama o real.

O detalhe que quase ninguém fala: as pessoas estão cansadas da perfeição. Voz sem falha. Produção plastificada. Letra genérica. Autotune. O rock volta porque deixa a imperfeição respirar. É como abrir a janela depois de muito tempo no ar-condicionado. Tem ar. Tem corpo. Tem risco. E risco dá vida.

Também tem um motivo bem prático: algoritmo ama fanáticos obsessivos. E rock cria tribo como nenhum outro gênero. Comunidade, símbolos, estética, camisetas e setlist. Quando a tribo decide, ela transforma uma banda em fenômeno global. E essa engrenagem está funcionando agora com força total.

Estilo que agrega ao invés de excluir

Só que não é o rock “de antes”. É o rock híbrido. Mistura com pop, metal, eletrônico, tudo no mesmo organismo. O que antes seria visto como “trair o gênero” hoje é vantagem: você fisga quem veio de outros estilos e ainda entrega catarse pra quem sempre foi do rock.

E tem a validação cultural, que acelera tudo. Quando premiações, listas e mídia grande colocam essas bandas em destaque, muita gente se dá permissão pra ouvir. Parece bobo, mas muda comportamento: o rock deixa de ser “coisa de um grupo” e volta a ser assunto, referência, conversa de todo mundo.

No fim, o rock está voltando porque voltou a cumprir o que prometia: identidade. Choque. Verdade. Show que vira memória. Música que vira abrigo. Sleep Token, Wet Leg e Ghost são só a ponta do iceberg — a prova de que o público não quer só entretenimento. Quer significado. E quando o rock entrega isso, ele não “volta”. Ele continua. Como sempre foi.

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