Terrenos milionários abandonados viram cicatrizes urbanas em Criciúma
Decisões mal planejadas no mercado imobiliário deixam marcas visíveis na paisagem urbana e afetam a confiança de investidores e consumidores
Foto: Divulgação
Em Criciúma, terrenos milionários em pontos estratégicos da cidade se transformaram em símbolos de abandono. O que deveria representar progresso e valorização urbana hoje expõe decisões mal planejadas e obras paradas.
Segundo o especialista em mercado imobiliário Rafael Canuto, o problema não é apenas financeiro: “Quando um projeto nasce sem estudo de mercado profundo, o risco não é só do empreendedor. É a cidade inteira que paga essa conta”.
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Exemplos não faltam. Trechos da Avenida Centenário, a esquina da Rua Henrique Lage com a Rua João Pessoa e, mais recentemente, uma grande área na região da Júlio Gaidzinski, ao lado do Hospital São José, mostram como empreendimentos mal planejados podem se tornar cicatrizes visíveis.
Buracos abertos, obras paradas e estruturas inacabadas acabam virando cartão-postal negativo — e referência de descuido urbano.
Cada vez que um empreendimento trava, o impacto vai além da obra. A confiança do consumidor diminui, investidores ficam mais conservadores e o mercado desacelera.
“Infelizmente, até empresas sérias acabam pagando essa conta. O erro de um contamina a percepção de todos”, explica Canuto.

Para o especialista, muitos desses fracassos não acontecem por azar, mas por falta de estudo de mercado ou excesso de confiança. Projetos desalinhados com a demanda real e com o momento econômico acabam fadados ao abandono.
“Construir sem inteligência é irresponsabilidade. Cada obra parada é um lembrete de que planejamento não é custo, é proteção”, reforça Canuto.
Até quando decisões mal planejadas vão continuar deixando marcas visíveis em Criciúma?
Mais do que prédios, o mercado imobiliário precisa construir confiança. E, como lembra Rafael Canuto, “confiança, quando perdida, não se recupera com concreto”.