O Brasil preso no passado do pop e rock

O domínio absoluto dos clássicos do estilo, no mercado nacional, e o silêncio preocupante das novidades

O Brasil preso no passado do pop e rock

Foto: Divulgação

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O Brasil segue preso no passado musical. A lista das músicas mais tocadas da semana de 10 a 14 de novembro de 2025 deixou isso escancarado: todas as faixas de pop e rock nacional têm mais de 10 anos, algumas ultrapassam duas décadas, e ainda assim seguem dominando como se tivessem sido lançadas ontem.

Detonautas, Charlie Brown Jr., Legião Urbana, O Rappa, Capital Inicial, Cássia Eller, Skank, Pitty e Natiruts continuam reinando absolutos, como se o tempo não tivesse passado e como se nenhuma novidade tivesse surgido desde então. Isso mostra um cenário curioso e, ao mesmo tempo, preocupante: quando o passado continua brilhando sozinho, é porque o presente está apagado. E a grande pergunta é — por que o público brasileiro não abraça as novas bandas?

A resposta dói, mas precisa ser dita. Hoje, o ouvinte busca conforto emocional. Quer ouvir aquilo que já conhece, que já viveu, que marcou momentos da vida. “Tempo Perdido”, “Céu Azul”, “Malandragem”, “Equalize”. Essas músicas carregam memórias profundas, viraram trilha sonora de eras inteiras. É difícil competir com isso.

Enquanto as novidades tentam aparecer, os clássicos já chegam com vantagem emocional de décadas. E nisso tudo, o mercado só piora a situação. Gravadoras – cada vez mais em decadência para o pop/rock, não investem em novos nomes do rock, as rádios não arriscam porque têm medo de perderem audiência, e os algoritmos entregam muito mais o que já é gigante. O novo não tem palco. Não tem chance. Não tem vitrine. Existe, mas segue em uma batalha quase inglória.

Não existe apagão criativo!

E não, não existe apagão criativo. O que existe é apagão de visibilidade. As bandas novas estão aí, mais criativas do que nunca, mas presas em nichos, festivais pequenos e bolhas digitais onde apenas quem procura encontra. Enquanto isso, outros gêneros — funk, trap, sertanejo, piseiro — dominam a linha de frente com marketing agressivo, lançamentos constantes e estética pronta para viralizar. O rock, que sempre foi profundo, político e emocional, não consegue competir com a velocidade e a superficialidade da era do hype. E a gente segue dentro de uma bolha nostálgica confortável, porém, paralisante.

Se nada mudar, vamos continuar ouvindo a mesma playlist pelos próximos 20 anos. Nostalgia é deliciosa, mas também aprisiona. A música precisa respirar, crescer, evoluir. Só que para isso acontecer, o novo precisa de espaço — espaço de verdade. Porque se depender apenas das transmissões, os clássicos vão seguir reinando sozinhos, enquanto o futuro do rock e do pop brasileiro fica presa. Porque a história da música não se escreve sozinha — ela precisa ser ouvida.

Para que vocês não digam que não estou colaborando, existem muitos artistas brasileiros legais – de metal, rock e pop - e que não são tão conhecidos do grande público. Cito aqui: Papangu, Canto Cego, Somaa (que é de Joinville), The Monic, Black Pantera e Budang (de Floripa). Vale a audição

  • Papangu
  • Canto Cego

 

  • The Monic

 

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