Dogma: As freiras do rock que transformaram o pecado em espetáculo
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Foto: Divulgação
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Misteriosas, provocantes e poderosas — cinco mulheres que escondem seus rostos, mas revelam no palco um ritual de música pesada, sensualidade e blasfêmia que está incendiando o rock mundial
Você já ouviu falar da banda Dogma? Se ainda não, recomendo que faça uma breve pesquisa e prepare-se: essa não é apenas uma banda, é um fenômeno que mistura música, performance e um mistério que devora qualquer tentativa de explicação. As cinco integrantes surgiram no horizonte do rock e, desde então, ninguém consegue desviar o olhar. Não se sabe exatamente de onde vieram, mas todos sabem para onde estão indo: direto para o altar da música pesada.
A Dogma é formada por cinco mulheres que escondem as identidades por trás de nomes inspirados em figuras mitológicas demoníacas: Lilith no vocal, Lamia e Rusalka nas guitarras, Nixe no baixo e Abrahel na bateria. Nenhum rosto revelado, nenhum passado confirmado. Rumores dizem que são mexicanas, mas nada, absolutamente nada, foi oficialmente dito. Esse silêncio calculado só aumenta a febre em torno delas.
O som? Um híbrido feroz de metal melódico, progressivo, hard rock e um toque sombrio do gótico. É música de impacto. No palco, cada nota parece fazer parte de um ritual — e a plateia não apenas ouve, participa.
“Freiras” ousadas no palco

O figurino é uma afronta direta à ideia de santidade. Elas se apresentam como freiras, mas em uma versão que você nunca viu: véus negros, decotes e cortes provocantes, tecidos que marcam as curvas, e maquiagem pesada em estilo corpse paint. É sensualidade e blasfêmia em perfeita simetria. Tudo pensado para provocar, desconfortar e hipnotizar.
Quando sobem ao palco, o clima muda. Lilith comanda como uma sacerdotisa sombria, cada gesto calculado para seduzir e intimidar. As guitarras de Lamia e Rusalka cortam o ar como lâminas, enquanto Nixe impõe presença e Abrahel dita o ritmo como se fosse o pulsar de um coração enfeitiçado. Não há espaço para distração..
O repertório é um ataque frontal. Canções como Forbidden Zone, My First Peak, Made Her Mine, Carnal Liberation e o hino absoluto Father I Have Sinned fazem a plateia gritar. E para provar que provocação é uma das suas maiores armas, elas já transformaram Like a Prayer, de Madonna, em um ritual metálico carregado de peso e ironia.
Lançado em 2023, o álbum de estreia da Dogma é um manifesto contra tudo o que se impõe como verdade única. As letras falam sobre libertação, emancipação de crenças e resistência contra dogmas. Videoclipes como Carnal Liberation, Forbidden Zone e Made Her Mine são tão intensos visualmente quanto no som, um convite para mergulhar de vez nesse universo proibido.
Mas o que mais fascina na Dogma é o enigma. Quem são elas? Por que essa estética? Existe um propósito oculto ou tudo é apenas arte elevada ao máximo grau de provocação? A ausência de respostas transforma o público em parte da narrativa, porque cada um cria sua própria versão da história.

Boatos dão conta de que o responsável pela banda é um empresário do ramo musical nascido no Uruguai. E, inclusive, as integrantes já não são as mesmas, desde o começo da banda. Até por isso a importância de não divulgar as identidades.
Assistir à Dogma é como presenciar uma cerimônia clandestina: há música, há beleza, há perigo — e, acima de tudo, há entrega total. No fim, fica claro: Dogma não é apenas uma banda, é um culto. E uma baita jogada de marketing, afinal geram assunto em todos os universos da música e cultura pop.