Dia Mundial do Rock: conheça a história da data celebrada em 13 de julho

Confira na coluna Conectando, com Marcelo de Bona

Dia Mundial do Rock: conheça a história da data celebrada em 13 de julho

Foto: Divulgação

Poucos estilos musicais conseguiram atravessar tantas gerações quanto o rock. Nascido nos anos 1950 como uma ruptura sonora e comportamental, o gênero deixou de ser apenas música para se tornar linguagem, identidade e instrumento de contestação. Mais de 70 anos depois do surgimento do rock'n'roll, o dia 13 de julho continua sendo lembrado por milhões de fãs como o Dia Mundial do Rock — embora essa celebração tenha uma história bem diferente do que muita gente imagina.

A data faz referência ao Live Aid, megafestival beneficente realizado em 13 de julho de 1985, simultaneamente no Estádio de Wembley, em Londres, e no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia. Idealizado por Bob Geldof e Midge Ure para arrecadar recursos destinados ao combate à fome na Etiópia, o evento reuniu alguns dos maiores nomes da música mundial e foi assistido por cerca de 1,5 bilhão de pessoas em mais de 100 países.

Foi naquele dia que Phil Collins sugeriu que o 13 de julho se tornasse o "Dia Mundial do Rock". A ideia, entretanto, nunca foi oficializada internacionalmente e acabou não sendo adotada fora do Brasil. Curiosamente, a comemoração ganhou força apenas nos anos 1990, impulsionada por emissoras de rádio paulistas dedicadas ao gênero, como a 89 FM e, posteriormente, a Kiss FM. Hoje, apesar do nome, a celebração é essencialmente brasileira.

Mas limitar o rock a uma data seria reduzir a dimensão de um movimento que redefiniu a cultura popular.

Quando a música passou a desafiar o mundo

Antes do rock, a música popular seguia padrões relativamente previsíveis. A chegada de Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis e tantos outros rompeu barreiras raciais, sociais e estéticas nos Estados Unidos da década de 1950.

Pela primeira vez, adolescentes passaram a consumir uma música feita para eles. O rock ajudou a criar o conceito moderno de juventude como força cultural e econômica, influenciando desde a moda até o comportamento.

Na década seguinte, a chamada Invasão Britânica ampliou ainda mais esse impacto. The Beatles transformaram a composição pop em arte sofisticada. The Rolling Stones incorporaram atitude e rebeldia. The Who questionou padrões. Pink Floyd expandiu os limites da experimentação sonora. Led Zeppelin reinventou o blues. Black Sabbath praticamente fundou o heavy metal.

O rock deixou de ser apenas entretenimento para se tornar um reflexo de seu tempo.

A trilha sonora das transformações sociais

Cada década encontrou no rock um novo significado.

Nos anos 1960, ele caminhou ao lado dos movimentos pelos direitos civis, dos protestos contra a Guerra do Vietnã e da contracultura.

Nos anos 1970, deu origem ao punk, que transformou a simplicidade em protesto, enquanto o glam rock desafiava convenções sobre gênero e estética.

Na década de 1980, o gênero alcançou uma dimensão global. Foi nesse período que o Live Aid mostrou que artistas poderiam mobilizar milhões de pessoas em torno de uma causa humanitária, consolidando a música como ferramenta de impacto social.

Já os anos 1990 apresentaram uma nova ruptura. O grunge, liderado por Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains, colocou em evidência uma geração desencantada com o consumismo e as fórmulas da indústria fonográfica.

O rock brasileiro também escreveu sua própria história

No Brasil, o rock encontrou diferentes caminhos.

Dos Mutantes e Raul Seixas ao BRock dos anos 1980, o gênero ajudou a traduzir os sentimentos de um país que saía da ditadura militar e redescobria a democracia.

Legião Urbana transformou conflitos existenciais em poesia urbana. Titãs abordaram política, consumo e desigualdade. Paralamas do Sucesso misturaram reggae, ska e rock. Barão Vermelho eternizou o romantismo de Cazuza. Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial, Raimundos, Charlie Brown Jr. e Pitty renovaram o gênero nas décadas seguintes.

Mais do que vender discos, essas bandas ajudaram a construir a identidade musical de milhões de brasileiros.

O rock realmente morreu?

Essa talvez seja a pergunta mais repetida dos últimos 20 anos.

É verdade que o gênero deixou de ocupar o centro da indústria fonográfica. O hip hop, o pop, o sertanejo e o funk passaram a dominar rankings, plataformas de streaming e festivais.

Mas isso está longe de significar o fim do rock.

Bandas clássicas continuam lotando estádios. Festivais dedicados ao gênero seguem movimentando milhares de pessoas em diferentes países. Artistas contemporâneos incorporam elementos do rock em suas produções, enquanto clássicos de Queen, AC/DC, Metallica, Nirvana, Linkin Park e Foo Fighters seguem acumulando bilhões de reproduções nas plataformas digitais.

Talvez o rock tenha deixado de ser o protagonista absoluto da indústria. Mas continua sendo uma das suas principais influências.

Um legado que vai além das guitarras

Celebrar o Dia Mundial do Rock não significa apenas revisitar discos clássicos ou aumentar o volume das guitarras.

É lembrar que poucos movimentos culturais conseguiram transformar comportamento, moda, linguagem, cinema, publicidade e política com a mesma intensidade.

O rock ensinou diferentes gerações que música também pode provocar reflexão, desafiar convenções e dar voz à inconformidade.

E talvez seja justamente por isso que, décadas depois de sua explosão mundial, ele continue despertando paixões, formando novos fãs e reafirmando um dos princípios que sempre o acompanhou: a capacidade de se reinventar sem perder sua essência.

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