Correr sem meta ainda te faz um corredor
Confira a coluna Plano de Corrida
Foto: Divulgação
Vivemos tempos em que tudo precisa ser medido, cronometrado, compartilhado. Na corrida, não é diferente. Basta abrir qualquer rede social voltada para o esporte e lá estão eles: os prints de treinos, os paces milimetricamente calculados, as metas ambiciosas de distância e tempo. É isso é uma mea culpa, meus amigos não corredores pegam no meu pé sobre as postagens pós-treino.
Mas muitas pessoas estão começando a correr e ainda não entendem o que é pace e todos os outros termos que já estamos acostumados neste universo.
E dentro deste boom da corrida, aumenta a competitividade por distâncias, quem corre mais rápido é quem consegue treinar mais durante a semana. Mas acredito que a competitividade também é importante para aqueles que têm um objetivo pessoal, eu mesmo treino com planilhas e metas de pace. Mas o que quero transmitir com esse texto é que quem amarra o tênis e sai por aí sem olhar o relógio não deixa de ser um corredor.
Existe uma beleza particular em correr sem pensar no pace. É como desligar o piloto automático e reconectar com o corpo, com a respiração, com o simples prazer de se mover. Correr sem meta também é legítimo. Não é sinal de descompromisso, mas de liberdade. Às vezes, a corrida é apenas o que ela sempre foi: um escape, um encontro consigo mesmo e uma oportunidade de cuidar da saúde.
Reduzir a corrida a números é limitar uma experiência que pode ser profundamente subjetiva. Para algumas pessoas, atingir um sub 4 na maratona é o auge. Para outras, completar 5 km correndo sem caminhar já é uma vitória imensa. E tem aqueles que nem contam quantos quilômetros fizeram. Apenas correram, e isso basta.
Nós, corredores, temos que normalizar o fato de que correr sem meta, sem pace, sem relógio, sem medalha, também é correr. O corredor não é definido pelo tempo que faz, mas pelo ato de sair para correr. Simples assim.