Black Sabbath encerra história nos palcos em grande estilo
Confira a coluna Monte de Música
Foto: Ross Halfin
Foi uma noite histórica em Birmingham. No sábado, dia 5 de julho, a cidade que viu nascer o Black Sabbath foi palco de um adeus épico. O evento “Back to the Beginning” reuniu a formação clássica da banda pela última vez no Villa Park, o estádio do clube de futebol Aston Villa. E o mundo inteiro parou pra assistir.
Mais de 40 mil pessoas tomaram o local, enquanto quase 6 milhões acompanharam online, além de outros milhares por vídeos curtos em perfis nas redes sociais. Era o fim de uma era, e ninguém queria perder. O clima era de celebração, emoção e muita distorção com os pais do Metal. Era o Sabbath dizendo adeus com estilo.

Ozzy Osbourne, aos 76 anos, apareceu em um trono com formato de morcego. Mesmo com os efeitos do Parkinson e de seis anos “acamado”, como o próprio destacou, não fugiu da missão. Cantou com alma, sentado, mas com uma presença que arrepiava. Um rei fazendo seu último voo no palco da sua vida. Ozzy mesmo admitiu que quer passar os últimos tempos da sua vida com a família e não “morrer em um quarto de hotel em uma cidade qualquer”.

O show abriu com cinco músicas da carreira solo de Ozzy, incluindo “Crazy Train” e “Mama, I’m Coming Home”, que levou o público às lágrimas. Era ele sozinho no palco, com a banda de apoio, que incluía Zakk Wylde, mostrando que ainda tinha poder de fogo. A plateia respondia com gritos, lágrimas e coros que tomavam conta do estádio.
Formação original no palco pela última vez
Depois, vieram eles: Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. A formação original estava ali, como nos velhos tempos. Esta foi a primeira vez que os quatro membros originais tocaram juntos desde 2005. Eles detonaram quatro clássicos: “War Pigs”, “N.I.B”, “Iron Man” e “Paranoid”. E encerraram com uma força que parecia de 1970.

A produção do evento foi cinematográfica. Telões mostravam imagens da história da banda, enquanto fogos e luzes criavam uma atmosfera mágica. O som era perfeito, tanto para quem estava no estádio quanto no livestream. Tudo pensado para registrar o momento que ficará para a eternidade.
E não parou por aí. Nomes gigantes do metal fizeram participações especiais: Metallica, Slayer, Pantera, Guns N' Roses, Tool e Gojira. Era uma verdadeira confraternização das lendas. Uma celebração do que o Black Sabbath criou e inspirou. Afinal, sem o Sabbath, nenhuma daquelas bandas existiria.
Momentos memoráveis não faltaram. Travis Barker, Chad Smith e Danny Carey fizeram uma batalha de baterias insana. Tom Morello e Billy Corgan comandaram supergrupos. Era rock’n’roll, virtuosismo e homenagem – tudo misturado e funcionando perfeitamente.
Jason Momoa foi o mestre de cerimônias, colocando ainda mais carisma no palco. Steven Tyler, após enfrentar um câncer na garganta, e Ronnie Wood apareceram e incendiaram o público. Cada aparição arrancava aplausos, gritos e lágrimas. Era como se todos quisessem estar juntos nesse adeus.
Nos bastidores, mais emoção: Sid Wilson, do Slipknot, pediu Kelly Osbourne em casamento. Foi inesperado e lindo, ao vivo, com todos vibrando. Um gesto que deixou tudo ainda mais simbólico. Amor, família e música – tudo no mesmo lugar.
Nem tudo foi aplauso: David Draiman, do Disturbed, fez um comentário político, em um suposto apoio a Israel, e foi vaiado. Mas isso foi apenas um detalhe num mar de emoção. O público queria festa, não discurso. E a festa foi entregue do início ao fim, com alma e peso.
O último acorde veio com “Paranoid”, e o estádio veio abaixo. Gritos, abraços, lágrimas e a bandeira de Birmingham tremulando. O Sabbath se despediu onde tudo começou, com dignidade e honra. Um fim à altura dos pais do heavy metal.