Barriga pós parto? Diástase abdominal vai além da estética e pode exigir tratamento
Quadros mais severos, especialmente quando associados a excesso de pele ou hérnias, podem ter indicação cirúrgica
Foto: Freepik
Relatos recentes de mulheres públicas como Giovanna Ewbank e Bianca Andrade ajudaram a ampliar nas redes sociais uma discussão que, por muito tempo, permaneceu restrita aos consultórios: a diástase abdominal. Comum no pós-parto, a condição vai além de uma questão estética e pode ter impacto funcional na saúde da mulher.
Caracterizada pelo afastamento dos músculos retos abdominais, a diástase ocorre quando a linha alba - o tecido que une os músculos do abdômen - sofre um estiramento importante durante a gestação e não retorna totalmente à posição original após o parto. De acordo com o cirurgião plástico Paulo Aveline, da Clínica Belvivere, o processo está relacionado às adaptações naturais do corpo para acomodar o crescimento do bebê. "O problema ocorre quando esse tecido não recupera sua posição e permanece uma lacuna na parede abdominal", explica.
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Entre os sinais mais comuns estão o abaulamento no centro do abdômen ao fazer esforço, sensação de fraqueza na região abdominal e a permanência de um aspecto abdominal semelhante ao da gestação, mesmo meses após o parto. De acordo com o especialista, a avaliação costuma ser mais indicada após seis meses do parto, período em que ocorrem adaptações hormonais e involução uterina.
Condição pode afetar a funcionalidade do corpo
Embora muitas vezes associada apenas à aparência do abdômen, a diástase pode estar ligada a alterações importantes na estabilidade do corpo. Segundo o cirurgião, como a musculatura abdominal participa do equilíbrio do tronco, seu afastamento pode contribuir para dores lombares crônicas, incontinência urinária de esforço, constipação intestinal e até hérnias umbilicais. "Tratar a diástase é devolver funcionalidade ao tronco, não apenas achatar a barriga", destaca o médico.
O tratamento pode variar conforme o grau da separação muscular. Nos casos leves, abordagens conservadoras, como fisioterapia especializada e exercícios hipopressivos, podem trazer melhora. Já quadros mais severos, especialmente quando associados a excesso de pele ou hérnias, podem ter indicação cirúrgica.

Aveline explica que entre as técnicas utilizadas está a plicatura dos músculos, procedimento em que a musculatura é reposicionada e suturada, podendo ser realizado por meio de abdominoplastia convencional.
No pós-operatório, alguns cuidados são considerados fundamentais para a recuperação, como repouso relativo nas primeiras semanas, uso de malha compressiva e fisioterapia para auxiliar na cicatrização e prevenir aderências. Segundo o cirurgião, por envolver a musculatura estrutural do corpo, a recuperação exige planejamento e, muitas vezes, uma rede de apoio, especialmente para mulheres com bebês pequenos.