Ansiedade no fim do ano
Confira a coluna Notas de uma Mentora
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O fim do ano chega carregado de expectativas. Existe uma promessa silenciosa de que deveríamos estar mais felizes, mais realizados, mais inteiros. Mas, para muita gente, o que surge é o oposto: ansiedade, cansaço emocional e uma sensação incômoda de que algo ficou para trás.
A ansiedade costuma aumentar nessa época porque entramos em modo de comparação. Olhamos para o ano que passou como se fosse um tribunal: metas cumpridas, metas falhadas, decisões adiadas. Somamos isso às festas, à convivência intensa, à quebra de rotina e ao excesso de estímulos, e o resultado é um corpo em alerta constante.
Ansiedade é, muitas vezes, o corpo projetado no futuro enquanto a vida acontece agora. O problema não é sentir ansiedade, mas atravessar esse período sem escutar o que ela está tentando comunicar. Em vez de mais cobrança, o que geralmente falta é cuidado. Algumas mudanças simples fazem diferença.
Pare de transformar dezembro em um julgamento emocional. Nem tudo que foi importante é mensurável. Troque o “não consegui” por “estou em processo”. Reconheça ao menos três pequenas coisas que deram certo. Isso ajuda o cérebro a sair do modo de ameaça.
Diminua a comparação. Redes sociais mostram vitrines, não bastidores. Se algo gera pressão ou sensação de atraso, silencie. Paz mental também é escolha.
Mantenha micro-rotinas. O corpo precisa de previsibilidade para se sentir seguro. Um horário mínimo de sono, alguns minutos de movimento e uma refeição feita com presença já ajudam a reduzir a ansiedade.
E, quando a ansiedade apertar, volte para o agora. Respire fundo, soltando o ar mais lentamente do que inspira. Observe o ambiente, sinta o próprio corpo. Trazer a atenção para o presente acalma o sistema nervoso.
O ano não precisa terminar perfeito.
Precisa terminar honesto.
Ansiedade não é sinal de fracasso, é um pedido de pausa, de escuta e de cuidado. E, quando ela se torna constante, buscar ajuda profissional não é exagero — é maturidade emocional.
Que o fechamento do ano seja menos sobre se cobrar…
e mais sobre se sustentar.