10 discos que fizeram a independência do rock e pop brasileiro
Confira a coluna Monte de Música
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O 7 de setembro é a data que marca a independência do Brasil. Neste ano, será comemorado no domingo. Mas, na música, a independência também se fez ouvir em riffs de guitarra, letras afiadas e ousadia artística. O rock e o pop nacional tiveram seus gritos de liberdade, álbuns que mudaram mentalidades, abriram caminhos e provaram que a cultura brasileira podia soar única, forte e original.
Em 1973, os Secos & Molhados lançaram seu disco de estreia, “Secos & Molhados”, trazendo teatralidade, poesia e ousadia estética. Ney Matogrosso e companhia quebraram barreiras artísticas e de comportamento, mostrando que independência cultural também significava liberdade de expressão.
Nos anos 80, o rock explodiu de vez. Em 1984, o Ultraje a Rigor trouxe o divertido e debochado “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, que mostrou que contestar podia ser engraçado. No ano seguinte, os Paralamas do Sucesso lançaram “Selvagem?”, misturando reggae, pop e crítica social em músicas como “Alagados” e “A Novidade”.
Já em 1986, a Legião Urbana marcou a história com “Dois”, um disco existencial que transformou poesia em hino de geração. No mesmo ano, os Titãs lançaram “Cabeça Dinossauro”, talvez o álbum mais agressivo e contestador do rock nacional, afrontando polícia, igreja e moralismos.
Ainda em 1986, o Ira! trouxe “Vivendo e Não Aprendendo”, traduzindo em riffs o espírito urbano e rebelde de São Paulo. Um ano depois, em 1987, os Engenheiros do Hawaii respondiam com “A Revolta dos Dândis”, onde Humberto Gessinger unia filosofia, poesia e crítica social em canções que atravessaram gerações.
Nos anos 90, a revolução continuou. Em 1994, os Raimundos chegaram com o álbum “Raimundos”, misturando hardcore com forró nordestino, irreverência e energia crua. Três anos depois, em 1997, o Charlie Brown Jr. lançava “Transpiração Contínua Prolongada”, trazendo skate, rua e poesia urbana em um grito de independência da juventude brasileira.
E, para encerrar, não poderia faltar um ícone que rompeu padrões ainda nos anos 70: os Mutantes, com o experimental “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado” (1970). Psicodelia, invenção e liberdade musical em um disco que influenciou o mundo inteiro, sendo referência até para bandas internacionais.
Esses dez discos são muito mais que música: são marcos de autonomia cultural. Cada um representa um momento em que o rock e o pop brasileiros afirmaram sua identidade, gritaram contra as amarras e mostraram que independência também se faz com guitarras, poesia e coragem. Se o 7 de setembro marca a independência política, esses álbuns são a verdadeira trilha sonora da independência criativa do Brasil.

10 discos da independência do rock e pop brasileiro
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Ano |
Disco |
Artista/Banda |
Impacto |
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1970 |
A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado |
Mutantes |
Psicodelia e invenção, libertando a música brasileira. |
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1973 |
Secos & Molhados |
Secos & Molhados |
Quebra de padrões estéticos e poéticos. |
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1984 |
Nós Vamos Invadir Sua Praia |
Ultraje a Rigor |
Deboche e humor como contestação social. |
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1985 |
Selvagem? |
Paralamas do Sucesso |
Mistura de reggae e crítica social. |
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1986 |
Dois |
Legião Urbana |
Hinos existenciais e poesia de geração. |
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1986 |
Cabeça Dinossauro |
Titãs |
Rock agressivo contra censura e moralismos. |
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1986 |
Vivendo e Não Aprendendo |
Ira! |
O espírito urbano e rebelde de São Paulo. |
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1987 |
A Revolta dos Dândis |
Engenheiros do Hawaii |
Filosofia e crítica em formato pop-rock. |
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1994 |
Raimundos |
Raimundos |
Hardcore irreverente com sotaque nordestino. |
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1997 |
Transpiração Contínua Prolongada |
Charlie Brown Jr. |
A voz da juventude do skate e das ruas. |