Aikido em Criciúma: como a prática pode contribuir para o desenvolvimento de crianças autistas ou com experiências traumáticas
Professor de Educação Física e sensei William Cipriano Casagrande destaca atividades adaptadas, acolhimento e respeito aos limites individuais no aprendizado infantil
Foto: Divulgação/MeroMídia
Aprender um movimento, participar de uma atividade em dupla ou reconhecer os próprios limites são experiências presentes nas aulas de Aikido infantil. Segundo o professor de Educação Física e sensei William Cipriano Casagrande, da Okinaie Dojo, em Criciúma, a prática pode oferecer oportunidades de desenvolvimento corporal, confiança e convivência, desde a adoção de uma abordagem adequada às necessidades de cada criança.
Essa atenção ganha importância na participação de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e daquelas com histórico de experiências traumáticas. Para o professor, o acolhimento deve orientar a condução das atividades, sem comparações ou pressão por desempenho.
Consciência corporal e aprendizado gradual
Arte marcial japonesa baseada em princípios de harmonia e equilíbrio, o Aikido pode ser apresentado às crianças por meio de brincadeiras, movimentos coordenados e exercícios cooperativos.
Conforme o sensei Casagrande, essas atividades permitem trabalhar coordenação motora, atenção e percepção do espaço. A proposta é oferecer desafios compatíveis com as possibilidades do aluno e valorizar sua participação, respeitando o tempo necessário para aprender.
Na abordagem defendida pelo sensei, experimentar um exercício novo ou pedir ajuda também representa uma conquista. O foco está no processo individual de aprendizado.
Aikido e autismo: adaptação deve orientar as aulas
Para algumas crianças com transtorno do espectro autista (TEA), instruções claras e uma sequência organizada de atividades podem facilitar a participação, avalia o professor. O planejamento também precisa considerar preferências, formas de comunicação e possíveis sensibilidades ao toque, aos sons e à movimentação do ambiente.
Entre os cuidados destacados pelo Profissional de Educação Física da Okinaie Dojo estão:
- Respeitar o tempo de adaptação ao espaço e às pessoas.
- Evitar comparações entre alunos.
- Não impor contato físico.
- Adaptar instruções e exercícios.
- Permitir pausas e respeitar sinais de desconforto.
A individualização também aparece nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), com destaque para o respeito às necessidades e preferências das pessoas autistas e para a promoção da autonomia.
Acolhimento após experiências difíceis
No caso de crianças com histórico de violência, perdas ou outros acontecimentos emocionalmente marcantes, Casagrande defende uma participação gradual, em um ambiente seguro e respeitoso.
Na avaliação do professor, atividades compatíveis com os limites de cada aluno podem criar oportunidades para experimentar desafios e reconhecer capacidades. A proposta pedagógica busca incentivar confiança e autonomia, sem exigir exposição a situações desconfortáveis.
Proposta da Okinaie Dojo em Criciúma
Na Okinaie Dojo, o Aikido é compreendido como uma oportunidade de aprendizado além da defesa pessoal, explica Casagrande. A abordagem busca trabalhar habilidades físicas e atitudes relacionadas à disciplina, à cooperação e à convivência respeitosa.
Casagrande destaca ainda o papel do professor na construção desse ambiente: reconhecer diferenças, ajustar expectativas e acompanhar cada aluno sem transformar o tatame em um espaço de cobrança.
A participação na modalidade deve considerar o interesse da criança e suas necessidades individuais, em diálogo com a família e, quando necessário, com os profissionais responsáveis por seu acompanhamento.
- Aulas para crianças e adultos
- Endereço: Travessa Clito Antônio Zapelini, 144, sala 2, Centro, Criciúma (SC).
- Telefone: (48) 99130-7488 WhatsApp
- Professor responsável: William Cipriano Casagrande
- Localização [neste link]
- Site: okinaie.com.br
- Perfil no Instagram: okinaie.artesmarciais