Que memória sua marca está deixando? Palestra na Acic provoca reflexão sobre branding
Mario Abel Bressan Júnior destacou que empresas memoráveis são aquelas que transformam experiências em conexões emocionais com seus clientes
Foto: Marcelo de Bona
Uma marca pode ser reconhecida por um logotipo, um slogan ou um produto. Mas são as emoções despertadas ao longo da jornada do consumidor que determinam se ela será lembrada ou esquecida. Com essa proposta, o publicitário e escritor Mario Abel Bressan Júnior conduziu, na noite desta quinta-feira (16), a palestra "Marcas que emocionam permanecem: o poder da memória afetiva na construção de valor", realizada na Associação Empresarial de Criciúma (Acic).
Doutor em Comunicação Social e pós-doutorando em Neurociência Cognitiva e Comportamento, além de Comunicação e Mediações Contemporâneas, Bressan apresentou uma reflexão sobre a relação entre neurociência, comportamento do consumidor e branding, demonstrando como a memória afetiva pode se transformar em um dos ativos mais valiosos de uma marca.
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Muito além da lembrança
Durante a palestra, o especialista destacou que uma marca deixa de ser apenas reconhecida quando consegue despertar sentimentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.
"Quando uma marca desperta um sentimento, ela deixa de ser apenas lembrada e passa a ser vivida. O desafio das empresas é compreender como a memória afetiva funciona e utilizá-la para construir conexões verdadeiras e duradouras com o público".
Segundo Bressan, todas as empresas ocupam um espaço no mercado, mas poucas conseguem conquistar um lugar na memória do consumidor. "Toda marca ocupa um espaço no mercado. Mas poucas ocupam espaço na memória. A pergunta que cada empresa precisa fazer é: qual memória estou deixando para o meu cliente?"

Emoções orientam as decisões de compra
Ao longo do encontro, o palestrante explicou que grande parte das decisões de consumo acontece de forma subconsciente. Mais do que comparar características técnicas ou preços, o cérebro busca referências ligadas à segurança, conforto, prazer e pertencimento.
"Nossa marca não vende apenas um produto ou um serviço. Ela vende uma sensação. As pessoas compram aquilo que faz sentido emocionalmente para elas."
A partir dessa perspectiva, ele incentivou empresários e profissionais de marketing a refletirem sobre as experiências proporcionadas aos clientes e sobre as lembranças que desejam construir em cada ponto de contato com a marca.
Estratégia baseada na experiência
Entre os conceitos apresentados, Bressan destacou a importância de mapear a experiência do consumidor e utilizar estímulos capazes de fortalecer a memória afetiva, como elementos visuais, sonoros, olfativos e emocionais.
"O cérebro cria conexões por meio das experiências. Criar gatilhos sensoriais é uma estratégia capaz de fortalecer vínculos e gerar lembranças positivas que permanecem por muito tempo."
Para o palestrante, marcas memoráveis não são construídas apenas por campanhas publicitárias, mas pela soma de experiências consistentes que transformam clientes em defensores espontâneos da empresa.
Construindo valor que permanece
Ao encerrar a palestra, Mario Abel Bressan Júnior reforçou que, em um mercado cada vez mais competitivo, o diferencial das organizações está na capacidade de criar relações genuínas com as pessoas.
"Que memórias sua marca está construindo hoje? Essa resposta pode definir não apenas a próxima venda, mas o relacionamento que sua empresa terá com o cliente pelos próximos anos."
Mais do que apresentar conceitos de branding, a palestra propôs uma mudança de perspectiva: compreender que as marcas mais fortes não são apenas as mais conhecidas, mas aquelas que conseguem transformar experiências em lembranças e emoções em valor duradouro.