Livre comércio entre Mercosul e União Europeia desponta como oportunidade para internacionalização de empresas

Acordo foi promulgado nesta terça-feira (17) pelo Congresso Nacional

Livre comércio entre Mercosul e União Europeia desponta como oportunidade para internacionalização de empresas

Foto: Divulgação

O Congresso Nacional promulgou, nesta terça-feira (17), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos, além de ligar os países-membros em um mercado que atinge cerca de 700 bilhões de pessoas. A última etapa formal para que o acordo entre em vigência efetiva é uma comunicação bilateral entre os países do Mercosul que já ratificaram o tratado e a UE, chamada de "troca de notas".

Entretanto, mesmo antes de sua plena entrada em vigor, o avanço do acordo entre Mercosul e UE já produz um efeito prático no ambiente de negócios ao sinalizar aproximação política, econômica e regulatória entre os blocos. Para empresários que avaliam expandir suas operações para fora do país, o cenário tende a aumentar a previsibilidade e a melhorar o planejamento, sobretudo na decisão entre fazer vendas pontuais ao exterior ou estruturar uma presença mais consistente no outro país.

{{PUBLICIDADE}}

Na prática, esse acordo reforça a importância de tratar a internacionalização como um projeto com organização jurídica desde o início. Ao invés de concentrar a decisão apenas na possibilidade de vender para fora, temas como regras de origem, conformidade regulatória, cadeias de fornecimento, contratos internacionais, proteção patrimonial e estratégia de presença local ganham relevância. A tendência é que empresas mais estruturadas tomem decisões com mais segurança, porque passam a planejar dentro de um horizonte mais claro de integração entre mercados.

Para o advogado Bruno Albuquerque, especialista em negócios internacionais, neste momento, a principal mudança está menos na questão tarifária e mais na necessidade de organização empresarial. "Mesmo antes de sua plena entrada em vigor, o avanço do acordo Mercosul-União Europeia já funciona como um sinal político, econômico e regulatório muito relevante. Ao invés de olhar a expansão internacional como um salto no escuro, passa a ser possível estruturá-la com mais método, avaliando com antecedência contratos, desenho societário, tributação e acesso ao mercado", afirma.

Portugal como plataforma de entrada na Europa

No recorte entre Brasil e Europa, Portugal tende a ganhar ainda mais força como porta de entrada no mercado europeu, deixando de ser visto apenas como um destino atrativo e se consolidando como base para estruturar empresas e contratos com foco em expansão. A proximidade cultural e o idioma ajudam a reduzir dificuldades de adaptação, o que pode tornar o processo mais eficiente para empresas com visão de longo prazo. 

Segundo Albuquerque, uma base societária em Portugal pode servir como alicerce para reputação, organização contratual, proximidade com parceiros e expansão mais estruturada para outros países europeus. "Exportar é importante mas, em muitos casos, estar juridicamente presente no mercado é o que muda de fato o patamar da empresa", explica.

Mais confiança para investir no Brasil

No caminho inverso, o avanço do acordo também tende a elevar a confiança de empresas portuguesas e europeias interessadas no Brasil. No cenário brasileiro, em simulação para 2044, o Itamaraty estima efeito positivo de 0,34% no PIB, alta de 0,76% no investimento e crescimento de 2,65% nas exportações totais com o acordo. 

O movimento sinaliza maior aproximação institucional e pode favorecer parcerias, investimentos e implantação de operações, mesmo que, segundo Albuquerque, o ambiente brasileiro ainda exija análise jurídica cuidadosa devido à sua complexidade regulatória.

Oportunidade com cautela técnica

Apesar do contexto favorável, na visão do advogado, o momento deve ser visto como oportunidade, mas com cautela técnica. A internacionalização pode se tornar mais cara quando é feita sem planejamento, sem avaliar a estrutura societária adequada, os reflexos fiscais no Brasil, exigências bancárias e contratuais e as obrigações regulatórias ligadas à operação. 

A orientação de Albuquerque é tratar o movimento como projeto empresarial, com planejamento compatível com objetivos de longo prazo, sobretudo para quem pretende transformar a presença internacional em base sólida de crescimento.

"Não basta abrir a empresa. É preciso que esse movimento faça sentido para o negócio, para o investidor e para a expansão futura. Meu trabalho, atuando entre Brasil e Portugal, é transformar esse conjunto de exigências em um caminho viável. Atuar nos dois ambientes permite compreender a lógica brasileira, a lógica portuguesa e o impacto europeu sobre ambas. Operações sólidas não nascem apenas de boas ideias, elas precisam de uma boa fundação jurídica", conclui Albuquerque.

Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.
Nenhum comentário. Seja o(a) primeiro(a) a comentar!