Tirzepatida e emagrecimento: cuidados com alimentação, anticoncepcional e fertilidade

Especialistas alertam para a importância de preservar a massa muscular e ficar atento aos efeitos sobre a alimentação, contracepção e ovulação durante o uso do medicamento

Tirzepatida e emagrecimento: cuidados com alimentação, anticoncepcional e fertilidade

Foto: Divulgação

A busca por um emagrecimento mais rápido aumentou o interesse por medicamentos como a tirzepatida. Porém, a redução do peso não deve ser avaliada apenas pelo número na balança. Para mulheres que utilizam o medicamento, também é importante observar a composição corporal, a alimentação, a saúde metabólica e os aspectos relacionados à fertilidade.

A endocrinologista Thais Areias destaca que a indicação e o ajuste da dose devem considerar as características de cada paciente. O uso por conta própria pode provocar efeitos como náuseas, vômitos e diarreia, que, em alguns casos, podem levar à desidratação.

A perda de peso muito rápida também merece atenção. Além da gordura, o processo pode provocar redução significativa de massa muscular. Há ainda possibilidade de hipoglicemia, especialmente quando a tirzepatida é associada a outros medicamentos.

A falta de avaliação antes e durante o tratamento também pode fazer com que condições de saúde importantes deixem de ser identificadas e dificultar ajustes adequados da medicação.

Menos apetite exige atenção à alimentação

Um dos efeitos da tirzepatida é a redução do apetite. Como consequência, algumas pessoas passam a consumir porções muito menores e podem deixar de ingerir quantidades adequadas de nutrientes.

Entre os componentes que merecem atenção estão:

  • proteínas;
  • ferro;
  • vitamina B12;
  • vitamina D;
  • cálcio;
  • ácido fólico;
  • magnésio.

A proteína tem papel importante durante o emagrecimento porque contribui para a preservação da massa muscular. Por isso, comer menos não significa necessariamente alimentar-se melhor: a dieta precisa continuar fornecendo os nutrientes necessários ao organismo.

A endocrinologista ressalta que suplementos vitamínicos e minerais não devem ser utilizados por conta própria. A indicação depende das necessidades de cada pessoa e pode ocorrer quando exames identificam deficiência ou quando a alimentação não fornece os nutrientes necessários.

Tirzepatida pode afetar o anticoncepcional?

Além dos aspectos metabólicos e nutricionais, mulheres que utilizam tirzepatida também precisam considerar a contracepção.

A uroginecologista Nadhine Ronsoni explica que o medicamento retarda o esvaziamento gástrico, o que pode interferir na absorção de medicamentos administrados por via oral, incluindo a pílula anticoncepcional.

Segundo a especialista, cuidados adicionais são especialmente importantes nas quatro primeiras semanas após o início do tratamento e nas quatro semanas seguintes a cada aumento de dose. Nesse período, pode ser recomendada a associação de um método de barreira, como o preservativo, conforme orientação médica.

Outra alternativa é discutir métodos contraceptivos que não dependem da absorção gastrointestinal, como DIU de cobre, DIU hormonal e implante subdérmico.

Tirzepatida, gravidez e fertilidade

A segurança da tirzepatida durante a gravidez e a amamentação ainda não está estabelecida, segundo Nadhine. Para mulheres que descobrirem uma gravidez durante o tratamento, a recomendação é procurar avaliação médica. Já para quem pretende engravidar, a especialista orienta programar a suspensão do medicamento pelo menos um mês antes de interromper a contracepção.

A perda de peso e a melhora do metabolismo também podem favorecer o retorno da ovulação em mulheres que anteriormente não ovulavam regularmente. Com isso, a fertilidade pode aumentar durante o processo de emagrecimento, elevando também a possibilidade de uma gravidez não planejada caso não exista um método contraceptivo adequado.

Por esse motivo, a saúde reprodutiva deve fazer parte das decisões relacionadas ao tratamento. Também é importante informar ao médico todos os medicamentos utilizados, facilitando a identificação de possíveis interações e situações de risco.

Episódios de vômitos ou diarreia, por exemplo, podem comprometer a absorção de medicamentos orais, incluindo a pílula anticoncepcional.

Quais sintomas exigem atenção?

Durante o tratamento, alguns sinais podem indicar alterações nutricionais ou metabólicas e devem ser investigados. Entre eles estão:

  • cansaço excessivo;
  • queda de cabelo importante;
  • fraqueza muscular;
  • tontura;
  • palpitações;
  • unhas fracas;
  • alterações no ciclo menstrual;
  • formigamento nas mãos ou nos pés.

A avaliação pode incluir exames de sangue, conforme a necessidade de cada paciente, como hemograma, ferro, vitamina B12, vitamina D, função renal e hepática e glicemia.

A composição corporal também é um indicador importante para verificar se a perda de peso ocorre principalmente pela redução de gordura ou se há perda significativa de músculo.

A alimentação adequada, a hidratação e a observação dos sintomas gastrointestinais fazem parte dos cuidados durante o tratamento.

“Cada organismo responde de um jeito, e um emagrecimento rápido demais pode trazer mais riscos do que benefícios”, conclui Thais.

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