Quer comprar um lançamento em Criciúma? Talvez a construtora não queira seu imóvel como entrada

Rafael Canuto, especialista em geração de novos negócios imobiliários, explica a mudança nas negociações de lançamentos

Quer comprar um lançamento em Criciúma? Talvez a construtora não queira seu imóvel como entrada

Foto: Divulgação

Quem tem uma casa ou apartamento e pretende comprar um imóvel novo na planta precisa estar atento a uma mudança nas negociações imobiliárias de Criciúma e região. A utilização de um imóvel usado como parte do pagamento de um lançamento está mais restrita.

Segundo Rafael Canuto, especialista em geração de novos negócios imobiliários, a prática foi bastante utilizada durante anos pelas construtoras como uma ferramenta para facilitar a venda de lançamentos.

Em um período no qual ainda havia maior resistência do consumidor em comprar um imóvel que seria entregue anos depois, a permuta ajudava a reduzir essa barreira. O proprietário podia entregar o imóvel usado como parte do pagamento e, em algumas situações, praticamente trocar um imóvel pelo outro.

"Essa estratégia também ajudava a construtora a superar a resistência do consumidor em relação à compra de um imóvel que ainda estava na planta. O proprietário podia continuar ocupando o imóvel antigo até receber o novo, enquanto a construtora assumia o desafio de comercializar posteriormente o patrimônio recebido", avalia Canuto.

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Mercado imobiliário mudou

O cenário mudou com o amadurecimento do mercado imobiliário. As construtoras ganharam credibilidade, passaram a entregar empreendimentos mais completos e ampliaram a atuação para diferentes regiões de Santa Catarina. Ao mesmo tempo, o consumidor passou a enxergar de outra maneira a compra de imóveis na planta.

Fatores como localização, segurança, condomínio fechado, áreas de lazer, tecnologia e arquitetura passaram a fazer parte da decisão de compra. A possibilidade de adquirir o imóvel antes da entrega também ganhou espaço entre os consumidores.

Para o especialista em imóveis, esse processo de amadurecimento do mercado contribuiu para mudar a dinâmica das negociações. Com mais confiança nos lançamentos, o consumidor passou a aceitar melhor a compra de um imóvel antes da conclusão da obra.

"Essa mudança de comportamento também alterou a forma de negociação. Hoje, em muitos lançamentos, quando a construtora aceita um imóvel usado como parte do pagamento, a análise segue critérios mais rigorosos. Em determinadas negociações, por exemplo, o imóvel usado pode representar no máximo cerca de 50% do valor do novo empreendimento", aponta.

Homens em uma mesa negociando imóvel na planta

Avaliação do imóvel usado

Outro ponto importante está no valor atribuído ao imóvel usado. O preço considerado pela construtora não é necessariamente o mesmo estimado pelo proprietário. A empresa realiza uma avaliação própria e, em algumas negociações, o valor considerado pode ficar abaixo daquele esperado pelo dono do imóvel.

Segundo Rafael Canuto, essa diferença pode ocorrer porque a construtora não está simplesmente recebendo dinheiro ao aceitar um imóvel usado. Ela passa a assumir uma série de responsabilidades relacionadas ao patrimônio.

"Ao receber uma casa ou apartamento usado, a construtora também assume questões relacionadas à documentação, manutenção, condomínio, impostos, possíveis reformas e, principalmente, à necessidade de vender o imóvel posteriormente", pondera.

Na avaliação de Canuto, esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o imóvel usado pode receber uma avaliação diferente daquela esperada pelo proprietário. Para a construtora, receber esse patrimônio significa assumir uma operação adicional. “É outro negócio”, resume Canuto ao analisar esse tipo de negociação.

Condições de pagamento ganham espaço

Diante desse cenário, algumas construtoras passaram a buscar outras formas de tornar os lançamentos mais competitivos. Em vez de receber imóveis usados e incorporá-los ao estoque, algumas empresas oferecem descontos, condições especiais e parcelamentos mais longos.

"Há casos no mercado regional de negociações com até 240 parcelas após a entrega do empreendimento, dependendo das condições estabelecidas em contrato", ressalta Canuto.

Em determinadas situações, o pagamento direto com a construtora, inclusive com correção pelo CUB durante determinadas fases, pode apresentar condições competitivas em relação a um financiamento bancário tradicional.

Para Rafael Canuto, essa mudança representa uma nova possibilidade de negociação para quem pretende comprar um imóvel novo. Em vez de concentrar a negociação na utilização do patrimônio antigo como entrada, o comprador pode avaliar as condições oferecidas diretamente pela construtora.

Vender o imóvel usado pode ser uma alternativa

Para quem possui um imóvel usado e pretende comprar um lançamento em Criciúma ou região, a mudança exige uma nova estratégia de negociação.

Na análise de Rafael Canuto, o proprietário precisa olhar para a operação como um todo e não apenas para o valor que conseguiria utilizar como entrada. A comparação entre vender o imóvel separadamente e negociar as condições do novo empreendimento pode fazer parte dessa decisão.

A questão deixa de ser apenas quanto o imóvel antigo pode representar como entrada. Passa a ser também quanto a construtora consegue facilitar a compra do novo empreendimento.

Nesse cenário, uma alternativa pode ser vender o imóvel usado separadamente e negociar diretamente com a incorporadora as condições de pagamento do novo imóvel.

Para Canuto, essa possibilidade ganha relevância justamente porque a construtora pode oferecer condições de pagamento capazes de reduzir a necessidade de utilizar um imóvel usado na negociação.

A decisão depende das condições de cada negociação, mas o cenário mostra uma mudança na dinâmica do mercado imobiliário regional.

O mercado imobiliário de Criciúma está mostrando, mais uma vez, que quando o consumidor ganha confiança e as empresas ganham credibilidade, a forma de negociar também muda.

E fica a provocação de Rafael Canuto para quem está pensando em trocar de imóvel. "O apartamento ou a casa usada ainda é a melhor moeda de troca para comprar um lançamento ou pode ser mais vantajoso vender o patrimônio separadamente e negociar as condições do próximo imóvel?"

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