Poesia Diária: “Iam até os ossos”, de Marcello Zapelini da Rosa, retrata o caos e o silêncio da sociedade
Em versos marcados por imagens de fogo, sirenes e inquietação, poeta apresenta uma reflexão sobre as contradições do mundo contemporâneo
Foto: Imagem IA
A série Poesia Diária, do Portal MeroMídia, apresenta nesta edição o poema “Iam até os ossos”, de Marcello Zapelini da Rosa. Com uma escrita intensa e imagens que transitam entre o absurdo e a realidade, o autor constrói um retrato de uma sociedade cercada pelo caos, pela inquietação e por comportamentos contraditórios.
Entre sirenes, fumaça e gotas de fogo, os versos revelam um cenário de tensão coletiva. O contraste entre igrejas lotadas e espaços culturais vazios amplia a reflexão sobre as escolhas, os valores e os caminhos da sociedade.
Iam até os ossos
No absurdismo
Entre suspiros / choques e riso
Nada mudava
No céu víasse fumaças
No sol as retinas se acalmavam
Multidões de sirenes, multidões acordavam
Gotas de fogo penetravam
Iam até os ossos,
Havia uma reza frenética no cortejo
Silêncio no realejo
Via cultos e igrejas lotadas
Cinemas e bibliotecas vazias.