Mercado imobiliário sustenta fôlego com demanda recorrente e novo perfil de compra

Déficit habitacional, arranjo de produtos e resiliência do setor mantêm vendas em patamar elevado, mesmo com juros altos

Mercado imobiliário sustenta fôlego com demanda recorrente e novo perfil de compra

Foto: Divulgação

O mercado imobiliário mantém tração acima do esperado. O conjunto de indicadores aponta um setor que sustenta vendas e produção, apoiado em demanda estrutural e em um modelo empresarial que ampliou a capacidade de adaptação.

A leitura é do presidente do Sindicato da Habitação Sul (Secovi-Sul/SC) e conselheiro do Creci, Helmeson César Machado. Ele observa que o déficit habitacional ainda conduz boa parte do movimento e ajuda a explicar a resiliência do segmento, embora o crédito esteja em patamar restritivo.

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"O mercado se mostra até surpreendente, superando as dificuldades de uma taxa de juros alta e de inconvenientes políticos e econômicos. Ainda assim, segue aquecido, com vendas e produção em andamento. A base de sustentação está na demanda reprimida e na qualificação do tecido empresarial", avalia.

Na avaliação do dirigente, também pesa o padrão de atuação de construtoras, incorporadoras, loteadoras e imobiliárias, que ajustaram processos, produtos e estratégias comerciais para mitigar riscos e responder ao novo comportamento de compra. "A expectativa do Secovi-Sul/SC indica avanço adicional no próximo ciclo. A demanda sempre existiu. A expectativa é que em 2026 seja ainda melhor", diz.

Perfil do comprador redesenha produtos e estratégias

O perfil do consumidor passa por mudança estrutural, acelerada pela pandemia, que reorganiza prioridades e critérios de escolha. O que seria observado em horizonte mais longo ganha velocidade e conduz a um novo arranjo de oferta.

"A pandemia acelerou de forma intensa essa transformação. Empresas do setor atuaram na vanguarda e calibraram o produto ao padrão de consumo observado nas pesquisas de mercado", cita Machado.

Esse ajuste envolve metragem, planta, localização, funcionalidade e nível de personalização. O objetivo é dimensionar melhor a entrega e reduzir fricções na jornada de compra. No campo da comercialização, o direcionamento do produto ao público adequado também sustenta desempenho acima da média.

"Há ainda um ciclo de recomposição após anos de retração. Existe uma demanda reprimida desde 2014, quando houve queda nas vendas, e esse ciclo de retração não se sustenta por muito tempo. Por isso, 2025 marca um ano de superação", comenta.

Consórcio e locação ganham espaço com crédito caro

Com o crédito bancário em patamar elevado, o consórcio imobiliário amplia presença como alternativa. O modelo funciona como instrumento de aquisição de médio e longo prazo, embora não resolva demandas imediatas.

"Sempre é um modelo atrativo quando as taxas de juros estão elevadas. A taxa de administração se dilui no tempo até a contemplação, o que viabiliza a compra com a carta de crédito. O formato exige disciplina e horizonte mais longo, mas dialoga com estratégias de mitigação de custo financeiro", diz.

No campo da demanda residencial, Machado sustenta que o movimento permanece recorrente. Programas habitacionais ajudam a mitigar parte do déficit, embora o problema persista em vários patamares de renda. A perspectiva de queda de juros reforça o cenário de expansão do financiamento.

"A perspectiva é de queda, mas tímida. Mesmo assim, já incrementa o mercado. O conjunto envolve juros menores, qualidade de vida em alta e famílias diminuindo. Nesse contexto, imóveis compactos e produtos segmentados ganham espaço", afirma.

O mercado de locações emerge como filão recorrente. Com parcelas de financiamento até 50% acima do valor do aluguel em certos momentos, parte do público migra para a locação. Em paralelo, investidores ampliam presença em busca de renda passiva e melhor retorno.

Compactos e alto padrão avançam em nichos distintos

Os apartamentos compactos concentram procura em cidades com polos universitários e oferta de formação técnica. O encolhimento das famílias e o aumento de domicílios unipessoais sustentam o padrão de absorção.

"Os compactos dialogam com esse novo tecido social. São muito procurados para locação, sobretudo em cidades com perfil de estudantes. O investidor identifica esse comportamento recorrente e direciona recursos para esse tipo de ativo", observa Machado.

No segmento de alto padrão, o movimento também evolui, com foco em conforto, personalização e tecnologia embarcada. Plantas reversíveis, automação e áreas de convivência ampliadas compõem o novo desenho do produto.

"O alto padrão mostra evolução. Os imóveis ficam mais confortáveis, mais dinâmicos e mais fáceis de personalizar. A tecnologia oportuniza conforto e segurança. Lazer e convivência agregam valor, mas a segurança ainda ocupa posição central", enfatiza.

O conjunto dos vetores, como demanda estrutural, adaptação de produto, mudança cognitiva do consumidor e possível recuo dos juros, sustenta a leitura de um mercado que preserva resiliência e projeta novo patamar de atividade no próximo ciclo.

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