Imóvel barato pode esconder riscos: especialista alerta compradores
Rafael Canuto explica que preço de um imóvel também pode refletir segurança jurídica, histórico da construtora e possíveis pendências
Foto: Divulgação
Um imóvel com preço abaixo de outros semelhantes nem sempre representa uma boa oportunidade de compra. Antes de considerar apenas o valor, o comprador deve avaliar os riscos que podem estar por trás do preço, alerta o especialista em negócios imobiliários Rafael Canuto.
Segundo ele, fatores como metragem, localização e acabamento não são os únicos elementos que influenciam o valor de um imóvel. Credibilidade, segurança jurídica e risco também entram nessa equação.
“Ninguém vende mais barato por acaso. Muitas vezes, o que parece uma grande oportunidade esconde justamente o motivo pelo qual aquele imóvel está mais barato”, afirma.
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Pendências podem explicar preço mais baixo
Entre as situações que exigem atenção estão imóveis com pendências tributárias, questões sucessórias, problemas ambientais ou envolvidos em processos judiciais.
Nesses casos, segundo Canuto, o preço mais baixo pode funcionar como uma compensação pelo risco que será assumido pelo comprador.
A mesma lógica pode ser observada na aquisição de imóveis na planta. Um empreendimento de uma construtora nova e sem histórico de obras entregues pode chegar ao mercado com condições mais competitivas justamente porque há um grau diferente de risco envolvido.
Por outro lado, empresas com histórico consolidado e credibilidade conseguem transmitir maior segurança ao comprador. “O mercado não precifica apenas metragem, localização e acabamento. Ele também precifica credibilidade, segurança jurídica e risco”, explica.
Risco também influencia o financiamento imobiliário
Canuto destaca que a percepção de risco não fica restrita ao imóvel ou à construtora. Ela também pode aparecer nas condições de financiamento.
Em cenários de insegurança econômica, os bancos podem considerar maior o risco de inadimplência e de mudanças nas condições econômicas, o que, segundo ele, influencia as condições e os juros do crédito imobiliário.
“O risco tem preço”, resume.
Antes de perguntar quanto custa, pergunte por quê
Para Canuto, o principal cuidado é não tratar automaticamente um preço baixo como sinônimo de oportunidade. “Antes de perguntar quanto custa, o comprador deveria perguntar: por que custa isso?”, alerta.
A recomendação é analisar a documentação do imóvel, sua situação jurídica, possíveis passivos e o histórico de quem está vendendo ou construindo. “Não confunda preço baixo com oportunidade.”
Na avaliação de Canuto, credibilidade, segurança jurídica e previsibilidade também devem ser consideradas como ativos em uma negociação imobiliária.
“No fim, o comprador não paga apenas pelo imóvel que vê. Ele também paga pela tranquilidade de saber que aquilo que está comprando realmente poderá se transformar em patrimônio”, conclui.